Momento: Sabor do amor!

Em alguns momentos, eu a decepcionarei, em outros você me frustrará, mas, se tivermos coragem para reconhecer nossos erros, habilidade para sonharmos juntos e capacidade para chorarmos e recomeçarmos tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias, então nosso amor será imortal.

Diário de uma Paixão

Esparramado pelo sofá, no silêncio da madrugada, Dragon observa, por entre as frondosas árvores que embelezam seu jardim, a imensidão do Universo a dançar com as estrelas em desalinho. Mergulha em pensamentos desconexos relembrando os caminhos percorridos e o que se apresenta.

“Inúmeras vezes em minha vida me peguei admirando o céu estrelado de alguma janela… e com os olhos marejados de lágrimas murmurava ao vento: Que saudade sinto de casa, quero ir embora para casa. Porque tanta saudade de uma casa que nem sei qual é? Que loucura! Que saudade!

Embora soubesse as nuances do amor, por um tempo, ele permaneceu na gaveta do esquecimento. Esqueci dá importância do amar cotidiano, do amar que gera vida e alegria, do amar que constrói os momentos seguintes. Durante esse tempo permaneci entre nuvens espessas e acinzentadas do conformismo, da monotonia de uma vida sem sabor, sem gosto. Não percebia a necessidade de alimentar a vida com os sabores do amor. Não existe relacionamento que perdure se não for alimentado com toques de carinho, respeito, confiança, verdade, atos de compreensão e gentileza, tempo de qualidade, reciprocidade, ternura, palavras de gratidão, paixão… esses sabores inconfundíveis da arte de amar.

Romântico, oras sempre fui romântico. Sempre gostei do molejo da paquera, da conquista, do namoro, da dança de rosto coladinho. Cantava em gesto e olhares o amor que sentia. As cartas de amor que escrevia eram inundadas de palavras que encantavam os olhos, fazendo vibrar a alma de quem lia, porque eram escritas com o coração. E assim alimentava “os namoros” com os preciosos sabores do amor. De namoro em namoro acabei encontrando o caminho do casamento. No início da vida a dois tudo são flores, os trajetos e os movimentos eram compartilhados. Aportaram no lar os filhos – dádivas de Deus. E assim nos primeiros anos o amor foi alimentado sem que precisássemos fazer muito esforço, era como jogar uma partida de Frescobol. Mas com o passar do tempo… a partida de Frescobol virou partida de Tênis. 

Porque? Não sei. O que aconteceu? Não sei. Enquanto estamos jogando não sabemos dar respostas.

Naquele momento apenas não sabia… tudo ficou cinza e não foi porque eu não acreditasse nos retoques das pinceladas que ajudam a reforçar o colorido – perdão, entendimento, recomeço. O colorido dos sabores apenas desapareceu e o relacionamento estacionou, faltou combustível. Talvez tenhamos esquecido de passar no “posto de gasolina da vida” para reabastecer o tanque. Tramas do destino… quem sabe. Enfim, e a vida continua…

Sempre acreditei na magia do amor, até mesmo quando imaginei que ele não existia mais. Mas eu nunca pensei ser possível um amor tão inteiro e intenso. Nunca imaginei que algum dia, fosse possível ter um sentimento ainda mais pujante. Sentir e vivenciar o melhor dos sentimentos, com a alma livre, em sua completude, sem limites para sonhar, sentir e existir. Penso que, algumas vezes, somos simplesmente “idiotas”, estamos o tempo todo tentando controlar, estabelecer limites para tudo, inclusive para os sentimentos. É! “Idiotas!” É simples, para algumas coisas conseguimos estabelecer limites ou até mesmo controlá-las, então imaginamos poder fazer o mesmo para tudo. Ah! O amor! Quando se trata de sentimento tão intenso… podemos até tentar, mas isso não quer dizer que vamos conseguir. É inevitável… quando o aroma do amor resolve adentrar inesperadamente e abraçar sua alma.

Inevitável! Inevitavelmente ele chegou em um sorriso e invadiu meus pensamentos, sem pedir licença, alojou-se no coração, se apossando de minha alma. Roubou toda a razão e por um minuto a trancafiou. Minuto suficiente, para que os lábios se encontrassem num encaixe perfeito de nossas almas. Bum! E a faísca estava acessa sem permissão. Foi o suficiente para a explosão do “barco e sua ancora” e a ruptura da “gaiola de ferro”. E agora, o que fazer? Suspirar, engolir seco, correr, sorrir, gritar… novamente não sei. Estávamos livres! Libertos das paixões – prisões – que criamos para nós mesmos. Liberdade para ir sem medo. Mas me esqueci que não temos controle sobre o amor e que a “alma permanece onde se encanta”.  E a minha alma se encantou pela sua alma, e o meu amor se enamorou do seu amor. E nossos corpos se descobriram na mais perfeita sintonia. Tudo se encaixava. Mais parecia uma orquestra a tocar a mais bela sinfonia de êxtase no palco do amor.

Esse sentimento, chamado amor, foi crescendo aos poucos, mas de repente já era maior do que a minha imaginação alcançava. Era imenso e intenso. Gigante e expansivo. Não cabia mais somente em mim, e fui obrigado a abrir portas e janelas da minha alma, para que o amor se expandisse ainda mais e encontrasse a milhares de quilômetros o amor que timidamente, mas não menos intenso, se expandia da alma dela. E nesse encontro, o amor transformou o EU e VOCÊ em NÓS.

Que loucura! Que saudade! Saudade do amor! Reencontro! Recomeço! Agora sei para onde ir. Encontrei minha casa no reencontro do amor. Desde então quando olho para o céu estrelado… sinto meu pensamento fugir numa busca encantadora de momentos mágicos vivenciados e a vivenciar no pequenino e aconchegante apartamento. Toda as noites adentro em pensamento e percorro todo o seu interior – da cozinha, passando pela sala e chegando ao quarto – meus “olhos” a procuram no sofá, na banheira, no chuveiro, na varanda, e acabam por encontrá-la na exuberante cama, onde os nossos pensamentos se unem na arte de amar. E por falar em amar. Vamos tomar um café da manhã? Nutella, mel, torradas, suco de laranja, banana e morangos. Sempre um amanhecer repleto de sensações indescritíveis. Sempre que o pensamento a procura, na memória imortal do amor, sinto que estou voltando para casa… em cada pensamento uma saudade! Em cada saudade a esperança!

E hoje?

Hoje entendo a importância de alimentarmos o relacionamento todos os dias com o combustível do amor. É necessário temperá-lo continuamente caso contrário ele estaciona, fica parado, vai definhando até secar e morrer. Simplesmente se dissolve na poeira do tempo e na imensidão do espaço. E cabe a nós não deixarmos isso acontecer. Não podemos permitir que a singela mágica do amor, que nos envolve intensamente, se perder, definhar, desaparecer apenas porque “esquecemos” de abastecer o veículo, de encher o tanque com os singelos sabores do amor – toques de carinho, respeito, confiança, verdade, atos de compreensão e gentileza, tempo de qualidade, reciprocidade, ternura, palavras de gratidão, paixão – e tantos outros ainda mais suaves e saborosos. ”

Dragon adormece na saudade dos pensamentos abraçados na esperança do reencontro … 🐉💙🔥


Não há como medir
A distância do momento.
Tão longe ficamos... e,
Não chegamos!
Nem fomos!
Há um lugar comum,
Um vazio... restou,
Uma saudade ficou.

Quero ouvir
Tuas histórias
Ainda não contadas
Então! Demoras
Um pouco mais...

Ocupa meu olhar
Com a tua imagem
Meu desejo
Com tua sensualidade
Minha boca
Com teu beijo.

Acabam os sabores,
Desbotam as cores
Da poesia a ser escrita,
No livro da vida.

Então, volta!
Então, fica! 

Cláudio Cordeiro